Os meninos da UTI 🟢
- Resenhas Alt

- 21 de ago. de 2024
- 3 min de leitura
Olá, novamente caro desconhecido.
Hoje o relato que irá ler será de uma influencer em redes sociais. Resolvi trazer esse novo modelo para que outras vozes possam ser ouvidas. Irei citar o nome, como se apresenta nas redes sociais e um pouco de sua história de vida.
Respeito muito o conteúdo, acima de tudo informativo, que a produtora de conteúdo faz.
Boa leitura!
Catarina (ciborgue ou Lolita) começou a sentir muitas dores de estômago, vomito frequente, desmaios, melena com sangue. Com a família preocupada, foram três vezes ao hospital, e infelizmente foi outro caso de falha médica em detectar o que estava acontecendo com o paciente e então diagnosticando erroneamente. Tudo chegou ao limite quando, a última ida no pronto-socorro, Catarina chegou morta. Passou por ressuscitação e tomou altas doses de medicamentos, mas nesse meio tempo perdeu sua circulação em partes da mão e do pé, onde conseguiram recuperar.
A esperança da menina de 15 anos era ter uma vida normal depois de todo o susto, levando em conta que agora saindo da internação estava recuperada.
Não aconteceu.
Ela foi diagnosticada com sepse (infecção generalizada), que acarretou seus órgãos parando de funcionar, perda de circulação e cabelo, amputação de membros, traqueostomia, coma...
Seu braço e perna foram amputados quando tinha 15 anos, e desde então continua sua jornada na internet levando comédia e informação para a vida de seus espectadores.
Com o user @ciborguelolita nas redes sociais, alguns vídeos são dedicados ao que ela passou nessa jornada do hospital e recuperação.
O relato que irei transcrever aqui será das coisas que ela já presenciou quando estava na UTI.

Por passar muito tempo na UTI, Ciborgue vivenciou muitas coisas estranhas nesse espaço de tempo. Quando tudo aconteceu, tinha 15 anos e não pertencia mais à ala pediátrica da Unidade de Terapia Intensiva, mas por algum motivo todo dia uma criança e um adolescente a visitavam. Um menino loiro de cinco anos com o rosto desfigurado como se houvesse um transplante de face ou passado por um acidente, porém em todas as visitas ele não falava nada e apenas se deitava com ela na sua barriga, fazendo com que ela sentisse dor. Às vezes ele sumia e às vezes passava dias ali deitado dividindo o leito, se assustando toda vez que alguma enfermeira chegava.
Tentando de várias maneiras interagir, sem conseguir falar também por conta da traqueostomia recém feita, com ele até porque se sentia machucada pelo menino algumas vezes, mas nunca obteve nenhuma resposta.
Outro, adolesce de aproximadamente 17 anos, era completamente diferente. Era extremamente comunicativo, e mesmo que sem fala ele entendia a menina dando apoio, conversas descontraídas e apenas se afastava quando a família dela entrava no local e tomava o poder da voz, deitado assim no sofá em que ele já dormia.
Por voltar de um coma, Catarina entendia que eram apenas pessoas simpáticas que a viam com olhos de compaixão, já que, em todo o tempo acordada depois do fato, recebeu visitas de diversos pacientes e acompanhantes que ela não conhecia. Mas claro que acontecia o estranhamento da situação, já que o mais velho não saia de seu quarto e o mais novo desaparecia e voltava ou ficava dias e dias ali parado.
Por se sentir acolhida pelo adolescente, toda vez que sua mãe entrava no quarto a menina acenava e fazia um gesto para ela chegar mais perto e conversar em direção ao sofá da UTI, mas como a senhora apenas ignorava achando que a filha estava ficando louca, apenas delirando.
Conta que, no primeiro encontro em que ela esteve com ele, o garoto contou com detalhes tudo que tinha acabado de acontecer enquanto tranquilizava. Quando chorava, o desconhecido fazia palhaçadas para fazê-la sorrir novamente.
Até que um dia, quando Lolita já estava melhor, o menino aparece e conta que no dia seguinte não vai mais estar lá, e ela começou a negar repetidamente. Porém, irredutível, sua fala continuou afirmando que ela estaria muito melhor no dia seguinte e que ele não estaria ali.
Sumir para sempre.
No outro dia, Catarina teve uma melhora surpreendente e voltou a falar pela troca da traqueostomia.
Por ter finalmente voz, ela perguntava o dia todo quem eram aqueles meninos e onde eles estavam, e todos a sua volta falavam que não existia ninguém e julgaram ela louca.
Esse foi o relato e espero mesmo que eu tenha acertado na história e escrito exatamente como ela contou em vídeo.
Até a próxima.



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