Squidward's suicide 🟡
- Resenhas Alt

- 15 de jan. de 2025
- 3 min de leitura
Olá queridíssimo estranho.
A creepypasta de hoje é em um formato diferente, ao invés de ser em terceira pessoa, será em primeira pessoa.
Uma bem conhecida para vocês.
Boa leitura.

Em 2005, durante a minha faculdade em Animação, tive a chance de estagiar durante um ano nos Estúdios Nickelodeon. Embora o estágio não fosse remunerado, como acontece com muitos nessa área, proporcionava uma experiência única. A oportunidade de trabalhar lado a lado com os editores e animadores do estúdio era incrível, especialmente para quem, como eu, cresceu com as criações da Nickelodeon. Além disso, podíamos assistir aos episódios antes de serem transmitidos, um privilégio que parecia mágico para um jovem apaixonado por animação.
Na época, o estúdio ainda estava se recuperando do enorme esforço criativo que foi a produção do filme do Bob Esponja. O cansaço refletiu na produção da quarta temporada da série. Os atrasos se tornaram inevitáveis, mas, havia algo muito mais perturbador do que simples falta de criatividade por trás desses adiamentos.
Em um dia qualquer, eu e outros dois estagiários estávamos na sala de montagem com a equipa principal de edição e animação. Estávamos ali para assistir à versão preliminar de um episódio que deveria ser "Fear of a Krabby Patty"(medo do hamburguer de siri). No entanto, ao contrário do esperado, o título que apareceu foi "Squidward's Suicide" (suicídio do Lula Molusco). Era normal os animadores usarem títulos provisórios como brincadeira interna, então rimos ao ver o título, assumindo que era apenas mais uma dessas piadas.
O episódio começou mostrando a rotina de sempre. Lula Molusco estava em casa, praticando clarinete, enquanto, lá fora, Bob esponja ria brincando, o que levou Lula Molusco a gritar para fazer silêncio por ter um concerto a noite. Bob Esponja simplesmente concordou sem muita relutância e se juntou a Patrick e Sandy. Lembram da transição de telas do desenho? Aquela que as bolhas sobem para mostrar a próxima cena, pois então, essa mesma foi passada logo após.
A próxima cena mostrava o concerto do Lula Molusco. Ele estava no palco, tocando clarinete, mas tinha algo estranho. Algumas imagens se repetiam, isso já era fora do comum, nesses momentos os efeitos visuais e o áudio normalmente estavam sincronizados, o que não estava acontecendo. Quando o personagem terminou de tocar, toda plateia o vaiou. No entanto, as vaias não eram os habituais de desenhos animados, mas algo diferente, com um tom agressivo. O rosto do Lula Molusco era confuso e assustado, mostrado bem de perto. A câmara então mudou para a plateia, onde todos tinham olhos realistas com as pupilas vermelhas. Bob Esponja estava sentado entre o público, também participava nas vaias, algo completamente fora do seu comportamento comum.

De volta ao quarto de Lula Molusco, apareceu sentado na beira da cama, desolado. A cena era acompanhada por um silêncio absoluto, o que aumentava a sensação de desconforto. Não havia som ambiente, nem sequer o ruído das colunas da sala de exibição. O personagem depressivo começou então a chorar. O som dos soluços era suave no início, mas aos poucos foi crescendo.
A câmara fazia um zoom extremamente lento em seu rosto. Os soluços tornaram-se mais intensos, carregados de angústia e desespero. O som do vento ficou mais alto e grave, como se anunciasse uma tempestade.
De repente, a tela piscou, como se uma única foto tivesse sido substituída. O editor de animação fez uma pausa e rebobinou quadro a quadro. O que vimos foi horrível: era uma foto de uma criança morta. O corpo estava mutilado, com um olho pendurado e o rosto ensanguentado, deitado numa estrada com o abdómen aberto e as entranhas expostas. Ao lado, a sombra do fotógrafo era visível, mas não havia indícios de que se tratasse de uma cena forense, como fita policial ou marcadores de prova. O ângulo da fotografia sugeria que o fotógrafo era o responsável pelo crime.
Apesar do choque, decidimos continuar a assistir. Lula Molusco voltou à tela, agora chorando ainda mais alto, com sangue a escorrer dos olhos. A risada se tornou mais exposta e de novo uma foto perturbadora entrou em cena. Dessa vez, uma menina deitada numa poça de sangue. O seu corpo estava mutilado de forma semelhante, com as entranhas empilhadas em cima dela. Mais uma vez, a sombra do fotógrafo era visível.
A tensão na sala era insuportável. Uma das estagiárias saiu a correr, incapaz de suportar o que via. Eu próprio tive de lutar contra a náusea. O episódio continuou por mais alguns segundos, mas foi interrompido abruptamente, deixando todos na sala em choque absoluto.
Aquela experiência marcou-me profundamente. Nunca imaginei que algo tão grotesco pudesse ser associado a um projeto voltado para crianças. O que vi naquele dia ficou gravado na minha memória, um lembrete sombrio de que mesmo os ambientes mais fascinantes podem esconder horrores inimagináveis.



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